O Contributo da Comunidade das Terras de Basto

Primeiro Tesouro Partilhado
Este vídeo foi criado por alunos das Terras de Basto. Ao som da música “Coisas da Minha Terra”, dos Retimbrar celebram o Património Natural e o orgulho em partilhar o que é nosso.
Segundo Tesouro Partilhado – Pinta o Guerreiro Basto
O Guerreiro Basto também precisa de cor!
Desta vez, desafia os mais pequenos a pôr mãos à obra: com lápis, canetas ou pincéis, está na hora de dar vida ao nosso herói!
Escolhe um dos desenhos abaixo, faz o download e dá largas à tua imaginação.
Depois, quem sabe… partilha o teu resultado connosco na secção Partilha de Lendas e Saberes!


O Guardião do Património, Professor Horácio Maldonado, Coordenador da revista Crescer, do Centro Escolar de Gandarela de Basto, partilhou connosco os seguintes tesouros…
Uma seleção de curiosidades e tradições das freguesias que integram o Centro Escolar de Gandarela de Basto, no concelho de Celorico de Basto — contributos que ajudam a preservar a memória e a identidade das Terras de Basto.
Lavoura dos Cães — Tradição única em S. Bartolomeu do Rego
Na freguesia de S. Bartolomeu do Rego, em Celorico de Basto, para além das festividades em honra de São Bartolomeu, realiza-se a emblemática “Lavoura dos Cães”, um cortejo popular onde a sátira e a tradição se juntam em momentos de grande participação da comunidade. Também se destacam a Feira de Gado quinzenal e as festas em honra de Nossa Senhora da Saúde, ambas no lugar da Lameira.


Os Moinhos de Argontim — S. Bartolomeu do Rego
Ainda, nesta freguesia, encontramos os Moinhos de Argontim, recentemente recuperados. Este núcleo museológico alberga vários vestígios arqueológicos recolhidos ao longo do tempo: mós manuais, armas, utensílios agrícolas, entre outros.
Além disso, podemos descobrir uma antiga serração de madeira, cuidadosamente restaurada, cuja força motriz continua a ser a água — um verdadeiro exemplo de engenho tradicional e sustentabilidade.

A Estela de Vila Boa – Um Tesouro da Antiguidade em S. Bartolomeu do Rego
Na freguesia de S. Bartolomeu do Rego, encontra-se a Estela de Vila Boa, uma peça arqueológica de grande valor histórico e simbólico.
A base do cruzeiro, junto à residência paroquial, guarda uma história com mais de 1800 anos. Com inscrições enigmáticas — algumas em grego — esta estela é um raro testemunho de cultos pagãos anteriores ao cristianismo na Península Ibérica.
Segundo os investigadores, as inscrições entoavam versos de uma melodia ancestral, dedicada às colheitas. Uma verdadeira janela para o passado!
A Estela de Vila Boa foi classificada como Monumento de Interesse Público em 1977.

Símbolos que Nos Representam
Nem todos os tesouros vêm do passado.
O logótipo do Agrupamento de Escolas de Celorico de Basto, criado pela EME DESIGN, é também um símbolo cheio de significado. Representa o Agrupamento de Escolas e a forma como todos crescem juntos — entre livros, escolas e história.

Significado do logótipo:
A de Agrupamento: sugere os braços de uma pessoa com um livro aberto.
E de Escolas: representa uma régua, dando a ideia de escala e evolução no percurso escolar.
C de Celorico: evoca a imagem de um aluno sentado.
B de Basto: representa livros sobrepostos, remetendo para o livro como a principal e mais antiga ferramenta de instrução.
Conceito desenvolvido por: EME DESIGN
O Covil do Zé do Telhado – Um Refúgio Lendário em Basto
Dizem que o famoso Zé do Telhado, conhecido como o Robin dos Bosques português, passou pela região de Cabeceiras de Basto.
O seu esconderijo e o do seu bando ficava num lugar isolado, no meio da floresta: o chamado “Covil dos Ladrões”, localizado no Penedo das Grades (ou do Brigadeiro), no Monte do Ladário, freguesia da Faia.
Este penedo foi mais tarde adaptado por um brigadeiro local, que o transformou num espaço de descanso e recuperação.
A sua história e lenda continuam vivas — até aparece no livro Uma Aventura na Pousada Misteriosa, de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada.


O Monte do Ladário – História, Mistério e Paisagem de Encantar
O Monte do Ladário, na freguesia da Faia (Cabeceiras de Basto), é um lugar cheio de história e lenda. Devido à sua localização elevada e estratégica, acredita-se que ali existiram antigas ocupações castrejas, mais tarde reutilizadas pelos romanos.
Segundo o Padre Magalhães Costa, esta é uma das maiores citânias descobertas em Portugal, com 1368 metros de perímetro. Ainda hoje se podem observar ruínas circulares em pedra, muralhas e até símbolos gravados em penedos, como sóis radiantes e serpentes.
Neste monte ergue-se também um marco geodésico, usado na triangulação geográfica, pois daqui se avista uma paisagem deslumbrante sobre os concelhos de Celorico de Basto, Cabeceiras de Basto e Mondim de Basto.
E como se não bastasse, o Ladário também esconde o famoso Penedo das Grades, ou Covil dos Ladrões, onde a lenda diz que Zé do Telhado e o seu bando se escondiam — personagem referida até no livro Uma Aventura na Pousada Misteriosa.
O acesso ao monte é feito por caminhos florestais, a partir da EN 206 ou da EN 210, e o troço final pode ser feito a pé ou em viatura todo-o-terreno.
É o lugar ideal para um piquenique em família, uma aventura com amigos… ou até para imaginar que estamos dentro da história.

O Penedo das Grades também aparece nos livros…
A história do Zé do Telhado e do seu esconderijo no Monte do Ladário serviu de inspiração para um dos livros da famosa coleção Uma Aventura, de Ana Maria Magalhães e Isabel Alçada.

Excertos do livro Uma Aventura na Pousada Misteriosa
“E havia um, muito mais alto do que todos, que realmente lembrava a torre de um castelo em bruto.”
“– Terá sido o Zé do Telhado que mandou fazer a escada?
Talvez, com certeza dava-lhe jeito ter um posto de vigia para saber se andavam polícias a rondar. E… escondiam-se no tal covil… uma gruta…”
O grupo espalhou-se, gatinhando sobre os rochedos que se envolviam entre si, formando brechas e fendas…” p. 124
“O covil não os desiludiu… mais alta do que larga… estava protegido por quatro ferros…” p. 128
O Eucalipto de Ribas — um gigante com mais de 170 anos
Na berma da Estrada Nacional 206, ao quilómetro 69, na freguesia de Ribas (Celorico de Basto), ergue-se uma árvore monumental: o Eucalipto de Ribas.
Com o nome científico Eucalyptus globulus, este gigante é considerado uma das árvores mais grossas de Portugal, dentro da sua espécie.
Estima-se que tenha mais de 170 anos e sobreviveu ao devastador ciclone de 1941. Em 1953, foi oficialmente classificado como Árvore de Interesse Público.
A sua dimensão é tal que, para uma das suas podas, foi necessário recorrer a um alpinista especializado.
Um verdadeiro monumento natural que impressiona todos os que por ali passam.

Tercetos Populares sobre o Eucalipto de Ribas
Ao longo das décadas, o Eucalipto de Ribas tem inspirado versos e memórias. Estes tercetos populares revelam como esta árvore gigante faz parte do coração e da identidade da comunidade local.

Agradecimento

O nosso sincero agradecimento ao Professor Horácio Maldonado, Guardião do Património e Coordenador da revista Crescer, do Centro Escolar de Gandarela de Basto, pela partilha generosa de saberes, memórias e tradições.
Os contributos aqui apresentados são um valioso testemunho do Património Local das freguesias que integram este Centro Escolar, e ajudam a preservar a identidade cultural das Terras de Basto — ligando passado, presente e futuro numa só voz.
Do Ribeiro à Fonte – Uma Lenda da Nossa Terra



Entre a memória, a tradição e a identidade das nossas terras, nasce a obra infantil “Do Ribeiro à Fonte – Uma Lenda da Nossa Terra”.
Inspirado nas tradições das freguesias da Faia e de Basto, este livro valoriza o património local, a oralidade, a imaginação e o sentido de pertença, dando voz a histórias que merecem ser conhecidas, partilhadas e preservadas.
Esta obra foi desenvolvida no âmbito do Domínio de Articulação Curricular, ligando escola, comunidade e património, e apresenta uma narrativa sensível e simbólica inspirada em duas referências da nossa tradição: as Bichas de São Tiago, na Faia, e a Fonte de Santa Senhorinha, em Basto.
Mais do que um simples conto, esta é uma forma de aproximar os mais novos das suas raízes, despertando o interesse pela memória coletiva, pelos lugares da terra e pelos saberes que passam de geração em geração.
A obra encontra-se agora disponível para leitura e partilha, integrando este espaço de “Tesouros Partilhados” como mais um contributo para a valorização do nosso património local e cultural.
A música da obra
A acompanhar o livro, foi também criada uma música original, inspirada no universo da narrativa e nos símbolos das tradições que lhe dão vida.
Esta componente musical reforça o caráter afetivo e educativo da obra, ajudando a tornar a experiência ainda mais envolvente para crianças, famílias e comunidade educativa.
🎧 Ouvir a música
O Guerreiro Basto continua a recordar-nos que o património não vive apenas nas pedras, nos monumentos ou nas paisagens. Vive também nas histórias, nas palavras, nas canções e na memória das pessoas.
Com esta obra, partilhamos mais um pedaço da alma das Terras de Basto.
Terminaste esta viagem… mas nas Terras de Basto, há sempre algo novo para descobrir!
Queres conhecer quem está por trás desta Aventura?
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